—E a filha? perguntaram-lhe. A Ruiva... O tempo tem estado famoso para doentes. Um sol quentinho que é um forno.—Do fundo, alguem disse para Zé Claudino:

—A Ruiva inda é viva?

E um trolha curioso:

—Não era essa que deitava sangue pela bocca? Na tenda do Malaquias vi eu... foi pelo Santo Amaro, faz agora annos...

Mas cada um procurava informar-se:

—Uma gaja de grenha encarnada, um signalzinho de cabellos no pescoço... o que? Era filha d’aquillo? E apontavam o coveiro.

—Bem sei, diziam; que peça! A que estava com o Nicolau das seges d’enterro. Contem-me cá quem isso era. Bebeda, como ratos! Ora esperem. Ella era tambem da sucia da Panasqueira. Lembras-te, Zé Claudino?

—Bons tempos, fez o interrogado do fundo da sua saudade dissoluta, aquella noite no palheiro do Panellas. Vinte raparigas dos casaes, todas pimponas, vieram dormir á granja. Alta noite, piscava o olho; alta noite...

—Não ponhas mais na carta. Tosquei tudo! Que bailões! E a Ruiva tambem era...

—Uma mulher dos diabos! Enfezadita dos nervos, mas coragem que tinha diabo. Quando ella se deitou ao Nicolau, aquella vez pelo Entrudo, além ao Quintalinho! Prega-lhe duas taponas, que nem eu sei como o não virou!