—Hontem á noite, antes de partir...

—Que? fez elle com espanto, penalisado; partiu?

—Ás oito da noite de hontem para Elvas, em serviço do correio. Que elle é do correio, ha mais de dez annos. O tio deve saber.

—Sim, sim, é do correio. Mas que pensava o excellente rapaz?

—Disse-me assim: muito me havia de rir se por estes dias, em quanto eu andava por fóra, te apparecia ahi o tio Sabino.

—A passagem tem graça; palavra que tem!

—E vai, disse-lhe—oh filho, mas eu nunca o vi mais gordo—modos de dizer!—Pois era por isso mesmo que tinha graça. A cara com que tu ficavas!... Porque na verdade não o faziamos em Portugal tão cedo. A carta dizia por estes mezes. Já o tio vê...

—De certo, de certo. Mas uma pessoa não faz sempre as cousas como as premedita, filha. Ás vezes pensa-se assim, e sahe assado. Principalmente no commercio. De modo que recebi um telegramma do meu correspondente em Paris, e tive de embarcar no paquete mais proximo. Cheguei agora mesmo. Venho enjoado do mar e aborrecido da vida a bordo. Que massada, não imaginas! Vossês dão-me cá commodo em casa, como eu lhe mandava pedir? Apesar de viver só no Pará, tenho sempre pena de não haver arranjado familia. É como um homem vive feliz. Eu fico em qualquer canto, não se incommodem vossês.

—Eu mando arranjar o quarto n’um momento. E venha o tio vêr os pequenos, o seu afilhado e a casa. E tomar alguma cousa, que deve trazer vontade.

—Não será mau, não será mau.