Ao cahir da noite entrou em casa; a Luiza estava ao canto da chaminé, diante do lume de azinho, o chale pela cabeça, aspecto adoentado e beato, o rozario entre os dois dedos. Demais, gravida de cinco mezes...
—Ora santas noites!
—Santas noites!
Reparou na postura da mulher, tão finadinha como um carapau.
—Que é isso? Estás doente?
—Deixa-me, ando morrendo, mesmo morrendo. Todo o santissimo dia com febre, calafrios, dôres. Ai!... e nas cruzes.
—Mas o que é?—Ella disse choramingando:
—Não vivo muito, não! O Canellas commoveu-se: estás doida! E solicitamente, achegando-se:
—E a respeito de vontadinha de comer, ha?
—Nem nada, marido. Ainda hoje me não entrou migalha n’esta boquinha de Deus. Tudo me sabe mal.