Em busca do Amôr

EM BUSCA DO AMOR

O meu Destino disse-me a chorar:
«Pela estrada da Vida vae andando;
E, aos que vires passar, interrogando
Acerca do Amôr que has de êncontrar.»
Fui pela estrada a rir e a cantar,
As contas do meu sonho desfiando...
E noite e dia, á chuva e ao luar,
Fuí sempre caminhando e perguntando...
Mesmo a um velho eu perguntei: «Velhinho,
Viste o Amôr acaso em teu caminho?»
E o velho estremeceu... olhou... e riu...
Agora pela estrada, já cançados
Voltam todos p'ra traz, desanimados...
E eu paro a murmurar: Ninguem o viu!...»

Impossivel

IMPOSSIVEL

Disseram-me hoje, assim, ao vêr-me triste:
«Parece Sexta Feira de Paixão.
Sempre a scismar, scismar, d'olhos no chão,
Sempre a pensar na dôr que não existe...
O que é que tem?! Tão nova e sempre triste!
Faça por 'star contente! Pois então?!...»
Quando se sofre o que se diz é vão...
Meu coração, tudo, calado ouviste...
Os meus males ninguem mos adivinha...
A minha Dôr não fala, anda sòsinha...
Dissesse ela o que sente! Ai quem me déra!...
Os males d'Anto toda a gente os sabe!
Os meus... ninguem... A minha Dôr não cabe
Nos cem milhões de versos que eu fizéra!...

ÍNDICE

Pág.
Êste livro [17]
Vaidade[21]
Eu... [25]
Castelã da Tristesa[29]
Tortura [33]
Lágrimas ocultas[37]
Torre de névoa[41]
A minha dôr[45]
Dizêres íntimos [49]
As minhas ilusões[53]
Neurastenia [57]
Pequenina [61]
A maior tortura [65]
A flôr do sonho[69]
Noite de saudade [73]
Angustia[77]
Amiga[81]
Desejos vãos[85]
Peor velhice[89]
A um livro[93]
Alma perdida[97]
De joelhos [101]
Languidez[105]
Para quê?! [109]
Ao vento[113]
Tédio[117]
A minha tragédia[121]
Sem remédio [125]
Mais triste[129]
Velhinha [133]
Em busca do amôr [137]
Impossivel [141]

acabou-se de imprimir êste livro
no mês de junho de 1919 na
tipografia mauricio, rua
do salitre, 102-a
lisboa