Amôr! Teu coração trago-o no peito...
Pulsa dentro de mim como este mar
Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!...

[SOL POENTE]

Tardinha... «Avè Maria, Mãe de Deus...»
E reza a voz dos sinos e das noras...
O sol que morre tem clarões d'auroras,
Águia que bate as azas pelos ceus!

Horas que tem a côr dos olhos teus...
Horas evocadoras d'outras horas...
Lembranças de fantásticos outroras,
De sonhos que não tenho e que eram meus!

Horas em que as saudades, p'las estradas,
Inclinam as cabeças mart'risadas
E ficam pensativas... meditando...

Morrem verbenas silenciosamente...
E o rubro sol da tua bôca ardente
Vai-me a pálida bôca desfolhando...

[EXALTAÇÃO]

Viver!... Beber o vento e o sol!... Erguer
Ao ceu os corações a palpitar!
Deus fez os nossos braços p'ra prender,
E a bôca fez-se sangue p'ra beijar!

A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!...
Azas sempre perdidas a pairar,
Mais alto para as estrelas desprender!...
A glória!... A fama!... O orgulho de crear!...

Da vida tenho o mel e tenho os travos
No lago dos meus olhos de violetas,
Nos meus beijos extáticos, pagãos!...