Cheguei a meio da vida já cançada
De tanto caminhar! Já me perdi!
Dum estranho paiz que nunca vi
Sou neste mundo imenso a exilada.
Tanto tenho aprendido e não sei nada.
E as torres de marfim que construí
Em trágica loucura as destruí
Por minhas próprias mãos de malfadada!
Se eu sempre fui assim este Mar Morto:
Mar sem marés, sem vagas e sem porto
Onde vélas de sonhos se rasgaram!
Caravelas doiradas a bailar...
Ai, quem me déra as que eu deitei ao Mar!
As que eu lancei á vida, e não voltaram!...
[INCONSTANCIA]
Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi á Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!
Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a bôca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!
Passei a vida a amar e a esquecer...
Atraz do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...
E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que ha de partir tambem... nem eu sei quando...