—Pois bem, concluiu o tenente Coelho, se conseguires o dinheiro necessario aos dois vem á minha casa ás duas da madrugada; se não alcançares senão o sufficiente para ti, vae só e sê feliz...

O capitão Leitão sahiu e não tardou a apparecer ao seu companheiro de lucta. Na madrugada de 1 de fevereiro, montou a cavallo e dirigiu-se a Oliveira de Azemeis. «Aqui, dil-o uma testemunha presencial, apesar de o reconhecerem, as auctoridades não o perseguiram e elle seguiu para Albergaria-a-Velha, no intuito de comer alguma cousa. Quando chegou a essa localidade, estava o padre, que tem a alcunha de O Sopas, conversando com varios individuos ácerca dos acontecimentos do Porto. Este padre tinha sido, durante doze dias, hospede de cama e meza do capitão Leitão. Ao vêr o cavalleiro, exclamou:

—«É elle!...

«Alguem recommendou ao Sopas que não denunciasse o fugitivo. Mas o padre approximou-se acto continuo do cavalleiro e disse-lhe:

—«O senhor é o capitão Leitão!

—«Não, não sou, respondeu o interpellado.

«Mas, logo a seguir, commovido, fraco—havia muitas horas que não comia—o capitão Leitão succumbiu e cahiu com uma syncope. O padre procurou o administrador e este tomando conta do foragido, encerrou-o na cadeia. Na prisão, o capitão Leitão teve nova syncope. Quando d'alli sahiu, no meio da escolta que o devia acompanhar ao Porto,[{125}] dirigiu-se ao povo em phrases sentidas e a commoção que provocou foi tão intensa, que muita gente derramou sinceras lagrimas.»

No trajecto de Albergaria-a-Velha para aquella cidade, o capitão Leitão observou ao commandante da escolta:

—Sabe uma cousa... Não triumphámos na revolta de 31 porque fomos trahidos.

—Mas quem os atraiçoou no fim de contas... perguntou o commandante.