Ás 2 da madrugada, Paiva Couceiro foi chamado ao quartel general e o chefe do estado maior ordenou-lhe que antes do romper da manhã collocasse algumas das suas peças em posição conveniente para incommodar as forças installadas na Rotunda, propondo para esse effeito o pateo do Thorel. Antes, a força disponivel de cavallaria 4 e um esquadrão da guarda municipal fizeram um reconhecimento de accesso pelas calçadas do Garcia e de San'Anna. Ás 3 horas, Paiva Couceiro, a pedido de dois officiaes da infantaria que guarnecia o norte do Rocio, collocou duas peças na entrada da Avenida, junto das metralhadoras que ali estavam e com as restantes seguiu para o pateo do Thorel, installando-se no jardim do palacete do sr. Manuel de Castro Guimarães.

Emquanto isto se fazia, Pinto de Lima, Innocencio Camacho e Simões Raposo iam a bordo do S. Rafael communicar ao tenente Parreira que Machado Santos instava pelo immediato desembarque dos marinheiros. O tenente Parreira, n'essa occasião, já havia ordenado o desembarque d'um grande nucleo de civis, que sob o commando do capitão Nascimento, da administração militar, devia impôr a rendição ás praças monarchicas que guarneciam o Museu de Artilharia. O S. Rafael suspendera para proteger esse desembarque e tencionava collocar-se em frente do Terreiro do Paço, bombardear o Rocio, enfiando os tiros pela rua do Ouro e rua Augusta e depois effectuar o desembarque d'uma forte companhia de guerra, constituida pelo maximo das forças disponiveis dos trez cruzadores revoltados, sob as ordens dos tenentes Parreira, Sousa Dias, Maia e do medico Vasconcellos e Sá, que se offerecera para commandar um pelotão.

A chegada a bordo de Pinto de Lima, Innocencio Camacho e Simões Raposo fez apressar os preparativos para o desembarque. O tenente Parreira mandou prevenir os grupos populares que estacionavam no Rocio, ruas Augusta e do Ouro, de que ia começar o bombardeamento, e o mesmo emissario, Pinto de Lima, recebeu a incumbencia de communicar na Rotunda a proxima juncção das forças revolucionarias. Pinto de Lima desempenhou-se da primeira parte do encargo, isto é, da prevenção do bombardeamento e ao passar no largo de S. Domingos, em direcção á Rotunda, teve ensejo de falar a um major que commandava, a pequena distancia do quartel general, um troço de tropas monarchicas e disse-lhe o que se ia em breve passar.

—O que? retorquiu afflicto o major... A marinha vae bombardear-nos? Diga isso ali ao coronel.

Paiva Couceiro

Pinto de Lima assim fez e o coronel mostrou não menos surpreza que o outro official:

—Mas eu já adheri!... Para bordo já foi um official de caçadores!...

E logo a seguir, como quem toma uma resolução energica:

—É preciso mandar outro official ao S. Raphael... O senhor acompanha-o n'essa missão?...