Tem 74 annos.

É um espirito embalado pelas doiradas crenças da velhice, que se assemelham ás ingenuas convicções da mocidade.

Tem enthusiasmos pueris e cultos idolatrados.

Influe a mais rigida honestidade nos actos da sua vida particular.

É um homem antigo, como diz o povo; e n’esta epocha de decadencia, em que na alma da nação existem, narcotisados pela mais criminosa indifferença e pelo mais repugnante egoismo, todos os sentimentos nobres e todas as crenças sans—este homem continúa caminhando impassivel para o occaso da vida, com os olhos fitos n’um Ideal de Honestidade e de Convicções—especie de mytho, com que, apontando para o Passado, tentamos hoje inocular no espirito dos nossos filhos o virus preservativo contra a Descrença e contra o Scepticismo.

Este homem conserva ainda, immarcessivel, a pureza de todos os cultos e de todas as tradições que seus Paes lhe legaram.

Crê na infallibilidade do Papa, na moralidade dos partidos, na sinceridade das convicções, na respeitabilidade dos conselheiros, na seriedade d’um marmanjo sertanejo qualquer, que, sentado no confessionario, descança, hoje, das fadigas que lhe vergam as pernas, depois das arruaças politicas d’hontem.

Atraz das procissões sente-se feliz e orgulhoso com o seu habito, marchando, altivo, ao lado do pantomimeiro, que em troca d’uma tranquibernia eleitoral chegará a ser commendador de Malta, ou Marquez, em dez vidas, de Paysandú, ou Chão das Pipas.

É fanaticamente liberal; quando, n’um dos artigos d’este livro, por inoffensivo trocadilho, lhe chamei miguelista, teve explosões de colera e arrancos de indignação.

Chamam-lhe: o liberal de 34.