Soffreu com as luctas d’essa epocha e com as seguintes.
Foi perseguido; andou a monte, passou fome e foi preso.
Respeita as instituições vigentes. Não admitte manchas na vida politica de D. Pedro IV, o seu legitimo Rei. Desculpa as fragilidades d’esse sebento poltrão, D. João VI. Odeia os republicanos e ajudaria a enforcar um iberico.
Por consequencia, na sua alma existe, profundamente enraizado, o amor da Patria; não o amor originado no funccionalismo da barriga, mas o que parte do coração, o que é verdadeiro, intransigente e expotaneo.
Pois este homem foi ignobilmente explorado para o scenario da manifestação patriotica e, acorrentado pela Politica, exposto por essas ruas ao mais degradante ridiculo.
Dedilharam as cordas do seu sincero patriotismo; falaram-lhe na Patria offendida; mostraram-lhe a bandeira. Abraçou-se a ella, nervoso, soluçando, humedecendo-a com lagrimas.
Empurraram-no para a rua.
Quando na minha frente passou o grotesco cortejo, eu já não vi o velho respeitavel, nem o homem liberal. Vi um macaco vestido de azul e branco, com a corôa real na cabeça, pinchando e bailando ao som dos hymnos esmoidos pelo realejo da philarmonica africana.
De quando em quando, o realejo cessava de tocar.
Um patriota discursava á turba; outro extendia o prato e pedia a esmola dos vivas.