XVIII
Uma recita de curiosos
(FRAGMENTO)
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Passou-se ao segundo acto.
O panno subiu, e á luz da ribalta appareceu o Nascimento.
Nascimento—diga-se a verdade—não é precisamente um Brazão.
Tenho assistido, por vezes, aos trabalhos d’este actor. Brazão ri, chora, soluça, tem arrancos de colera, tem na voz a doçura d’uma supplica, a suavidade d’uma prece, a meiguice d’um carinho, o vigor d’uma maldicção, o rugido d’uma ameaça.
A melancholia da saudade, as expansões do amor, as torturas do remorso, as angustias do ciume resaltam nitidas, vibrantes, envolvendo-nos a alma—comprimindo-a, dilatando-a—com o fluido subtil de uma verdadeira interpretação artistica.
Por doze vintens, eu tenho visto o Nascimento fulgurando na gloriosa constellação—grande Ursa dos nossos céos artisticos—de que fazem parte: Sampaio, Guilherme, Aurelio, Romano, Machado, Ernesto.