A Musica da Santa veiu outra vez espancar os ares com as notas festivas dos hymnos, bufadas para os céos da Patria com a furia d’uma orchestra de Cafres.

É crença arraigada no espirito do povo que não póde haver solemnidade sem gaiteiro.

Era preciso, disseram-me, estimular, avivar o espirito da nacionalidade.

Este argumento defensor dos paus-tesos recorda-me as funcções luctuosas das antigas carpideiras, nas casas minhotas.

Morria o fidalgo.

Expunha-se o cadaver na sala nobre.

As mulheres e as creanças acocoravam-se sobre os tapetes.

Em volta do caixão perfilavam-se, tristes, sombrias e sinistras, seis mulheres recrutadas no auditorio dos Missionarios, entre as mais hystericas e lacrimosas, quando algum dos energumenos descrevia os horrores do caldeirão de Pero Botelho, o rechinar das carnes e os forcados rubros de trezentos milheiros de diabos que pinchavam sobre as cabeças chamuscadas dos condemnados.

Vinham os amigos da familia apresentar as suas condolencias.

As carpideiras irrompiam n’um chorar convulso, com todos os sons da gamma afflictiva, com todas as notas ascendentes e descendentes d’uma suprema dôr: suspiros, gemidos, gritos, berros—berros, gritos, gemidos, suspiros.