V.
Durante as licções, n’aquelles intervallos em que o Albino canta o seu macarronico, o Padre Alexandre gargareja o melhor e o mais brunido do seu latim e os outros padrecas se revezam, previamente annunciados pelo rapaz sacrista que, de saiote vermelho, vae apagando, um a um, os treze tocos da girandola—compadre e comadre libram as suas almas pelas naves d’um mystico arroubo, ebrios de felicidade, de esperanças risonhas, e dulcificados fartamente com amendoas de Tuy e rebuçados de avenca.
Á noite, na visita ás casas do Senhor, o compadre acompanha a comadre. Atraz, cochicham o futuro sogro e a futura sogra. As beatas, ao longe, segredam mais um casamento... Compadre e comadre já se tratam por tu. Fica combinado o gargarejo.
—Amo-te—boas noites—até amanhã.
Domingo de Paschoa.
Baile na Assembléa.
A comadre, quando alguem a pede para dançar de roda, está sempre compromettida. Só dança com o compadre.
Compadre escolhe os melhores doces para a comadre; rodeia de attenções a Mamã da dita comadre; entretem o cavaco com o Papá da dita comadre; é vis-à-vis do Mano da dita comadre.
As amigas da comadre, quando o compadre está em pé, arranjam-lhe logo um logar ao pé da comadre.