Nas faces mimosas e assetinadas, espetára a mão endiabrada do Rocha ferozes matacões de caprina pellugem, e enfarruscára as sobrancelhas avelludadas, com repetidas fricções de rolha queimada, embebida no azeite do purgueira.
Marchavam com fronte altaneira, nariz repontante, seguidos pela sua côrte de paradas-velhas, ao compasso do hymno picaresco, que o meu amigo Argar, com a sua finissima intuição artistica, tão caracteristicamente soube conceber, adaptar e colorir.
Ao apparecimento de tão illustres personagens—um propheta e um princez—abalaram-se os alicerces do edificio, com a violenta expansibilidade dos applausos. Ao longo da medulla espinal, desde o bolbo rachidiano até á cauda equina, corriam-nos vibrações de enthusiasmo; as senhoras choravam; os homens arremessavam os chapéos; os paradas-velhas e esplanadas do loiceiro, impregnando o ambiente, no sonoro explodir do seu arrebatamento, de exhalações duvidosas e aromas assaz compromettedores, irrompiam em galhofeiras invectivas de affectuoso e intimo conhecimento, com os pagens e as donzellas da real côrte:
—Vira para lá a rabáda, oh Transmontana!
—Tens o rancho á espera, oh 35 da 4.ª
—Pica o pé, oh Estrella!
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E na intima audição do meu espirito, entre os fulgores e as scintillações d’aquelle gloriosissimo triumpho, subjectivou-me, subito, o Senso:
Oh filho! Quanto póde a... Arte!
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