Quem é que vae á Urgeira, a Ganfey, ao Faro, a Segadães, que não seja por mero divertimento, por distracção, pela novidade de um caso ruidoso e differente na pacata vida da provincia?

Quem annuncia em casa á familia a visita á Senhora da Cabeça, ou a S. Campio, que isso não signifique um dia de borga e de folgança?

Vejamos as coisas como são, limpando o prisma da observação e da critica, das teias de aranha, com que a rotina, o uso e a tradição lhe mancham a transparencia.

O que é a «Senhora da Cabeça»?

Um concurso legal de caceteiros.

Perguntem ao meu amigo Joaquim Queiroz, se elle de lá veiu com mais crenças, apesar dos esforços que os salta-pocinhas de Lara e de Lapella fizeram, para lh’as introduzir na massa cerebral.

Perguntem a esse amigo, imprudentemente envolvido por generosa dedicação e por nobre arrebatamento, na batalha de Montes Claros, se essas mulheres, que uivavam como hyenas e clamavam em furia horrenda, contra tres homens, não eram as mesmas que se espojavam pelo adro da capella, e se arrastavam de joelhos nas cinco voltas da promessa, com que, sentindo estoirar o bandulho nos arrancos de brutal indigestão, recorreram á fama milagreira da Santa...

Perguntem-lhe se esses matulões, que á porta do Chico Mello o cercavam, embrutecidos pelo vinho, apertando o circulo dos varapaus ferrados, com gritos de chacal e esgares sensuaes de anthropophagos, não eram os mesmos que, horas antes, carregavam, como bestas, com o andor da Santa e abalavam o solo com o poisar da pata na marcha truanesca, pelos atalhos do logarejo.

O que é S. Campio?