A prostituição ao ar livre, sob o manto estrellado da noite, como diria qualquer poeta; e a charlatanice, fazendo suar o Santo e... os milheiraes.

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A pequena distancia d’esta villa ha um burgo chamado—Urgeira. É feudo do sr. Joaquim. Descendem em linha recta, os seus habitantes, d’aquelles antigos cultivadores de cebolas do Egypto.

Formam um elemento importante na Politica do nosso Hospital e prestam assaz reconhecido serviço, nas procissões da Semana Santa. Chegam em mesnadas, marcham bem, formam, com os seus balandraus, duas alas, já muito razoaveis e, além d’isso, são faceis de contentar: quaesquer tres patacos de borôa e zurrapa lhes enchem as panças, depois da procissão, na sacristia da Misericordia, provocando-lhes sonoro arrôto.

No verão, rara é a noite de sabbado, em que estes pacovios não queimam algumas duzias de libras, com foguetes de lagrimas e bombas de dynamite.

Ora, no burgo ha pobreza e ha miseria; ha velhos, que gemem na cama com o frio do inverno e ha creanças esfarrapadas, que chafurdam no lamaçal dos becos; ha aleijados, que se arrastam até á villa mendigando o chabo.

Com esses 500, ou 600 mil réis, que annualmente se gastam em festas, podia a Junta de Parochia fundar um Hospicio para os velhos, e estabelecer uma sopa economica para os famintos.

Mas a pandega? O grande brodio da vespera da festa? A figura que se faz na procissão com a vara de Juiz?

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