Necessita o povo de distracções.
Verdade é, mas dêem-lh’as que o civilizem e não que o embruteçam. Festas, Romarias e Procissões são ainda vestigios d’aquelles primitivos tempos, em que era necessario inveterar pelo mysticismo, pelo apparato e sumptuosidade das manifestações, o espirito da crença.
Mas hoje, em que para o plebeu entrar no templo até á grade, onde a aristocracia aninha, se lhe exige roupa lavada e calçado decente; hoje, em que elle vae á romaria para jogar o pau, beber vinho e entregar fielmente á Batota a féria da semana—acabem com tudo isso e deixem ficar a Religião nos templos, e só nos templos, d’onde nunca devera ter sahido.
E, para divertir o povo, substituam, então, esses grotescos cortejos de Santos, entre espelhos de pataco e plumas de gallo, por verdadeiras procissões civicas, onde figurem os heroes da nossa Patria, que os temos tantos e tão dignos d’essa apotheose.
Em vez de pulpitos ao ar livre, levantem-se tablados, onde se reproduzam os factos mais gloriosos das gloriosissimas epopéas que, a um paiz de tão acanhadas dimensões, deram a celebridade das grandes nacionalidades.
Organizem-se-lhe jogos, luctas, em que se adestre no exercicio das armas e possa desenvolver os musculos e a energia, de que tanto necessita para a constante lucta da existencia.
Conte-se e mostre-se ao povo o que fomos, e assim, distrahindo-o, lhe incutiremos os germens d’esse sentimento, que é o principal impulsor dos grandes feitos e das grandes civilizações—o amor da patria.[24]
Basta de coisas de egreja. E agora,—beaterio da minha terra!—um Padre Nosso e uma Ave-Maria por este Zinão, que já está ás portas do inferno... mas esperando que entreis, para atrancar solidamente a porta e assim vos acabar com a raça!
Pater Noster...