VII
Litteraturas
(DUAS PALAVRAS)
Claro é que, tendo subordinado o programma d’este livro ao titulo de Estudos sobre a actual sociedade valenciana, me não posso esquivar a fazer incidir, por momentos, na minha lente de observação, os raios luminosos que os nossos homens de lettras, semanalmente, fazem convergir no fóco das lamparinas cá da terra.
N’esta epocha, em que legalmente está em uso, reconhecida e sanccionada, essa nojenta e nociva convenção litteraria do elogio-mutuo, que tanto talento atrophia, que tanta intelligencia embriaga com os aromas d’um incenso macanjo, parvoiçada é—reconheço—o meu proposito, que significa perigo eminente nas cannelas, irremediavelmente condemnadas á dentuça dos critiqueiros.
Limito a area da observação com as muralhas da Praça e d’ella exceptuo, ainda, algumas individualidades que, demasiado, me ferem a retina com o seu talento, e que a insignificante distancia focal da lente me não permitte abranger.
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N’esta nossa terra, a penna serve, unicamente, para estadulho de deslombar politicos, ou nas protervias e diatribes, originadas em questiunculas ridiculas e comicas, como as da Prisão da Santa, ou nas pacholices rimadas, com que se visa á critica galhofeira.
A penna photographa a Idéa. A Idéa póde evolar-se, librar-se sobre todas as manifestações da actividade humana, consoante as aspirações que a orientam e as intelligencias que a esclarecem. Póde fixar-se na Arte, na Sociedade, no Homem, etc. Entre nós, embirrou com a Politica e não a larga.