Que diabo te disse o Noticioso, que tão violentamente arrepiou a tua espinha, como se te communicasse a irritabilidade nervosa do galvanismo?
Offendeste-te por elle affirmar, que na sessão dos quarenta-maiores, o teu esplendido discurso não foi improvisado e que houve, até, quem te desse o ponto?
Mas—oh filho—suppões, acaso, que no intimo da alma dos nossos conterraneos não existe, profundamente radicada, a absoluta confiança nos teus dotes oratorios, embora se reconheça, sem desdoiro, que não és, precisamente, o que se póde chamar um Pico de Mirandola?
Então não está ahi, bem pronunciado, no teu luzidio craneo, o extraordinario desenvolvimento da terceira circumvolução cerebral, em que Broca localizou a eloquencia e a arte oratoria?
Olha, Quim, um conselho de amigo:
As tuas sessenta epistolas,—embora, verdadeiramente, se não saiba, ainda, para que as escreveste e para que incommodaste tanto cidadão pacato, tanto cerebro, tanta caneta, tanto bico e tanto papel de chupeta—estão boas; isso estão. Mas ouve, filho, a respeito de litteratices, de cartas—isto é—de escripturas e de lettras, manda-n’os algumas, mas d’essas que tens com hypothecas e com fiadores.
As que para ahi estás a publicar, guarda-as, para quando não tiveres quem te chegue o papel...
Não maces mais a gente, que tem de aturar bissemanalmente o Noticioso, diariamente o Marilio[28] e—aos domingos,
o João de Ganfey.