Corridos varios bêccos tortuosos, que a bebeda co'os nomes mais pomposos, cantando, nomeava alegremente, á laia de cicerone intelligente: topei com um palacio illuminado, e com lacaio á porta enfardalhado.
—«Quem mora ali?»—perguntei assombrado.
—«É a orgia! a filha do argentario que gasta o ouro vil do usurario, que roubando o suor do proletario…»
—«Ai! Deus meu! historia da carochinha
que é formosa e bonitinha…»
—«Não me falles á mão! aliás
nunca alexandrinos tu farás!
Presta ao meu discurso toda a attenção
se queres que te dê inspiração.
—É a orgia! a filha do argentario, que gasta o ouro vil do usurario, e que talvez deixasse na miseria o pobre proletario—vil materia!
É a orgia! a impura mulher do vicio! que tem ha tanto seculo o baixo officio de macular as timidas consciencias.
É a orgia! que, sem guardar conveniencias, prostitue as gordas carnes oleosas n'um sidereo leito, ideal, de nublosas.
É a orgia!… Com seu halito pestifero (que é mil vezes ainda mais mortifero do que o bacillus-virgula do Ganges) mata o coração das virtuosas Langes; e tem feito baquear testas coroadas quando o povo levanta barricadas.