—Peço-te que me respondas: onde vês tu n'isto puerilidade?

—Que aborrecimento! Triste sorte é a minha! exclama a Zina a bater o pé. Vou dizer-lh'o, se é que ainda o não percebeu: aproveitar o ensejo d'esse velho se achar caído em demencia para o enganar, para o desposar, assim, enfermo e caduco, para lhe extorquir o dinheiro e andar todo o santo dia a desejar-lhe a morte, representa, a meu vêr, não só uma puerilidade, mas uma vilania, e não serei eu quem lhe dê os parabens por semelhante ideia, mamã.

Silencio.

—Zina, já te esqueceste d'aquillo que se passou ha dois annos? pergunta de chofre Maria Alexandrovna.

Estremece a Zina.

—Mamã, profere com accentuada seriedade, lembre-se de que me prometteu não me tornar a falar em semelhante coisa.

—Pois bem, minha filha—que eu até hoje ainda não tornei a dizer-te uma palavra—peço-te que por uma vez tão somente me desligues da minha promessa. Zina! Soou a hora de uma franca explicação. Foram mortaes estes dois annos de silencio! Isto assim não pode continuar!... Estou prompta a supplicar-te de joelhos que me permittas{52} falar. Entendes, Zina, é a tua propria mãe que cae de joelhos a teus pés! E demais—dou-te a minha palavra solemne—a palavra de uma mãe desgraçada que adora a propria filha—seja qual for o pretexto, em circumstancia alguma d'este mundo, com risco até da propria vida, de nunca mais abrir a bocca a tal respeito.

—Fale! diz Zina, muito enfiada.

Maria Alexandrovna calculou optimamente o lance.

—Obrigada, Zina. Ha dois annos, pois, que frequentava esta casa, por causa do teu irmãozinho, do Mitra, que Deus tem, um utchitel.