—Mas, Zina, meu anjo, onde é que tu vês n'isto baixeza? replica, timida, Maria Alexandrovna. Trata-se de um bom casamento, de uma coisa normal; encara as coisas d'este ponto de vista e verás que te ha de parecer muitissimo razoavel.
—Ah! mamã, pelo amor de Deus, nada de dissimulações para commigo! Estou prompta para tudo, bem vê; que mais quer? Não se escandalize, peço-lh'o eu, por eu dar ás coisas o nome que lhes compete: será, talvez, actualmente, essa a minha unica consolação.
E sorriu com tristeza.
—Ora vamos! Vamos! Está bom, meu anjinho; pode haver estima reciproca sem identidade de convicções. Quanto ao meu plano, tem a certeza em como te não irá salpicar de lama, isso te juro eu! Quererás talvez comprometter-me? Tudo ha de correr bem, com muita dignidade, até. Não ha de haver escandalo. E ainda quando o houvesse, n'esse caso, d'este ou d'aquelle modo... já nós estariamos d'aqui muito longe... diziamos adeus a Mordassov. E depois, essas gralhas que piassem para ahi até rebentar, já nos não fazia mossa. Merecem que façamos caso d'ellas, porventura? E como é que tu, Zina, tão soberba, podes arrecear-te de semelhante gente?
—Ah! mamã, a mim não me mettem medo, acredite! Não me entende! respondeu a Zina, irritadissima.
—Está bom, está bom, minha joia, não te zangues! Onde eu queria chegar era a que essa gentalha praticam vilanias a cada instante, e que tu... por uma só vez... Mas,{73} que digo eu... sempre sou muita tola! Trata-se até de uma nobre acção! Depende tudo do ponto de vista...
—Basta, mamã, basta! exclama a Zina.
E bate o pé.
Deixa lá! meu anjo, não torno mais!
Silencio. Maria Alexandrovna fica a olhar pelas costas para a Zina, que seguiu por a casa fora com uma expressão de cachorro a olhar para a chibata.