A Zina recommeça a alludida romança. O principe não pode ter mão em si e ajoelha-lhe aos pés a chorar...

—Oh! minha formosa castellã! (Treme-lhe a voz de senilidade e de commoção).

Oh! minha en... can... tadora castellã! Oh! minha querida menina! Quanta coisa me não veiu recordar do passado!... E eu, então, vivia esperançado em outro porvir. N'esse tempo cantava eu com a viscondessa... uns duêtos... {96} essa mesma romança... e agora... ah! Sei muito bem o que me espera!

O principe proferiu aquella discurso em voz entrecortada e offegante, intoiriu-se-lhe a lingua... tornam-se inintelligiveis algumas palavras. Apenas se vê que atingiu o acume da commoção. Maria Alexandrovna apressa-se em lançar azeite no lume.

—Principe! quer me parecer que se vae apaixonando pela Zina.

A resposta do principe vae além de quanto ousaria esperar Maria Alexandrovna.

—Estou apaixonado por ella a ponto d'enlouquecer! exclama o velhito muito exaltado e sempre de joelhos.

Estou prompto a sacrificar-lhe a minha vida... pudesse eu ao menos ter esperança... Mas levante-me, por quem é... sinto-me um tanto fraco... Se eu... ao menos, pudesse nutrir a es... pe... perança offerecia-lhe o meu coração... e então... eu... Havia de cantar-me todos os dias ro—ro—man—manças, e eu a olhar para ella sempre... sempre... sempre... ai, meu Deus!

—Principe, principe! Está offerecendo a minha filha a sua mão, quer-m'a roubar, a mim, a minha Zina! O meu enlevo, o meu anjo, Zina! Não te deixarei nem por quanto ha! Zina! Venha alguem arrancál-a dos braços, dos braços de sua mãe; se é capaz!

Maria Alexandrovna atira-se á filha e estreita-a nos braços, comquanto se sinta repellida com força. A mamã exaggera um tanto ou quanto a comedia, e a Zina está em transes de asco. Mas não abre a bôca, é tudo quanto deseja Maria Alexandrovna.{97}