—Que ardor, que arrebatamentos, que nobreza de alma! E lembrar-me eu, principe, de que se estava a perder n'aquelle ermo!... Não me canço em repetir... Eu, quando me lembro d'aquella... infernal... toda eu me horrorizo!...

—Mas que queria que eu fizesse?

Tinha tanto... mê... mêdo! choraminga o principe. Queriam pregar commigo numa casa de saude... e tive... mê... mêdo!

—N'uma casa de saude! Ah! que miseraveis! Que vileza, que crueldade!... Já me constou isso mesmo, principe! Mas essa gente está doida! Mas por quê... por quê?...

—Se quer que... lhe diga, nem eu o sei, responde o ginjinha caindo derrengado de cansaço na poltrona. Foi assim—estava eu n'um ba... baile, e contei-lhe uma anecdóta.—Desagradou-lhes e ahi está... e resultou d'ahi uma historia... uma histo... ria.

—E foi esse apenas o motivo?

—Não foi, eu tambem tinha jogado as cartas com o principe Pedro Dmirititch, e perdido immenso... tinha dois reis e três... da... damas... quero dizer, três da... da... mas e dois r... reis... Não é isto... um r... r... rei e só... da... damas!

—E foi só por isso!—por isso!—Infernalissima protervia! Não chore, principe! Não lhe torna a acontecer! D'aqui em diante, encontra-me a seu lado, meu principe!—Pois não me aparto da Zina, e veremos quem é que se atreve a abrir bocca. Sabe o que lhe digo, principe? Que o{99} seu casamento vae deixál-os consternados; vae envergonhál-os! Hão de ver que ainda é capaz... quero dizer... comprehenderão que tão peregrina beldade nunca iria casar com um mentecapto!—E agora, pode olhar para elles rosto a rosto, de cabeça erguida!

—Está—claro... rosto a rosto!—murmura o principe fechando os olhos.

—Está derreado de todo, diz comsigo Maria Alexandrovna; creio que estarei a soltar palavras ao vento.