—Está commovido, meu principe, precisa de ir descançar, diz debruçada sobre elle com maternal sollicitude.

—Está... c... claro... encostar-me um bocadinho.

—É tal qual... Estes abalos!—Espere ahi, vou acompanhál-o. Eu propria irei deitál-o, se for necessario... Por que é que está a olhar tanto para aquelle retrato, principe?

É o retrato de minha mãe, não era uma mulher, era um anjo! Oh! oxalá ella ainda cá estivesse! Era uma santa, uma santa, sim, nem lhe posso dar outro nome!

—Uma s... anta, é bonito!... Eu tambem tive mãe, uma senhora extrê... ê... ma... mente nut... trida... E d'ahi, não é isso que eu queria dizer... Estou um tanto fatigado... Adeus... minha linda menina... amanhã... em sum... ma... não importa... Até mais ver... até mais ver!...

Tenta fazer um gesto gracioso, mas escorrega no pavimento encerado, e por pouco se não desiquilibra.

—Cuidado, principe. Encoste-se ao meu braço! grita Maria Alexandrovna.

—Um encanto! um encanto! Agora sim, agora começo a viver!{100}

Ficou a sós a Zina. Sentia uma oppressão, um desprezo para comsigo mesmo. Com as faces a escaldar, as mãos contraídas, os dentes enclavinhados. Inérte, e a vergonha a arrazar-lhe os olhos de lagrimas...

N'este lance, eis se abre a porta e investe pela sala dentro o Mozgliakov—fulvo de raiva!{101}