IX

—Ouvi tudo, tudo!

A Zina a fitar-lhe uns olhos espantados.

—Ah! E são esses os seus sentimentos! exclama com a voz tomada. Até que por fim aprendi a conhecêl-a!

—A conhecer-me? repete a Zina (fulgem-lhes os olhos, de colera). Atreve-se a falar-me assim?

Dá um passo para o mancebo.

—Tudo ouvi! insiste solemne o Mozgliakov, recuando porém um passo, mau grado seu.

—Ouviu?—Espionou, diga! emenda a Zina a mirál-o com desprezo.

—Espionei, seja? É verdade, decidi-me a praticar semelhante vilania! Mas, graças a ella... fiquei afinal sabendo que é a mais... nem sei como qualificar a sua... tartamudeava o mancêbo, de mais em mais atrapalhado sob o olhar da Zina.

—E quando haja ouvido a tudo, que é que me poderá lançar em rosto? Quem lhe deu o direito de me accusar, de me falar n'esse tom?