—Hum!

—E elle a dar-lhe com o hum! Vê se acabas com o tal hum!—a mim, responde-me ao que eu te perguntar. Percebeste?

—Percebi, Maria Alexandrovna, percebi muito bem. E como é que eu não havia de perceber? Mas estou a dizer{127} hum! para me ir exercitando. O que tu queres é que eu me ponha a olhar para o principe, com um ar de riso... mas quando elle não me vir?

—Forte espantalho! Forte idiota! Cala-te, cala-te, e cala-te! Olha e sorri.

—Mas se elle é capaz de suppor que sou surdo!

—Olhem a desgraça! Sequer ao menos não ficará sabendo que és um imbecil.

—Hum! E se mais alguem me fizer perguntas?

—Ninguem t'as faz, deixa estar! E demais, não estará lá ninguem. E se por infelicidade, do que Deus nos defenda, apparecer alguem e te perguntarem alguma coisa, responde desde logo com um sorriso sarcastico. Sabes o que vem a ser um sorriso sarcastico?

—Uma careta muito espirituosa, pois não é verdade, minha mãezinha?

—Eu te darei o espirituoso, deixa estar, manequim! E quem é que te iria suppor capaz de ter espirito, meu asneirão? Um risinho de escarneo, percebeste? De escarneo e de desdem.