Passou pelo portão Ossington, com um grande leão no topo, feito em cobre vermelho e latão amarelo, com o lema: "Notting Ill" (Nada mal). O guarda em vermelho e ouro o saudou com sua alabarda.

O sol estava para se por, e as lâmpadas estavam sendo acesas. Auberon fez uma pausa para olhá-las, pois eram os melhores trabalhos de Chiffy, e seu olhar artístico nunca deixou de festar com elas. Em memória a Grande Batalha das Lâmpadas, sobre cada grande lâmpada de ferro havia uma figura velada, espada na mão, segurando sobre a chama uma capa de ferro ou extintor, como se estivesse pronto para usá-la se os exércitos do sul e do oeste mostrassem de volta suas bandeiras na cidade. Assim, nenhuma criança de Notting Hill poderia brincar nas ruas sem os próprios postes de iluminação lembrando-as da salvação de seu país naquele ano terrível.

— O velho Wayne estava certo de certa forma — comentou o rei. — A espada faz coisas bonitas. Agora tornou o mundo inteiro romântico. E pensar que as pessoas me consideravam um palhaço por sugerir uma Notting Hill romântica. Pobre de mim, pobre de mim! (Acho que é esta a expressão.) Parece outra vida.

Virando a esquina, encontrou-se em Pump Street, em frente das quatro lojas onde Adam Wayne tinha estudado vinte anos antes. Entrou ociosamente na loja do sr. Mead, o dono da mercearia. O sr. Mead estava um pouco mais velho, como o resto do mundo, e sua barba vermelha, que agora usava com um bigode, longa e cheia, estava parcialmente esbranquiçada e descolorida. Ele estava vestido com uma túnica longa e ricamente bordada de azul, marrom e vermelho, entrelaçado com um complexo padrão oriental, e coberta com símbolos obscuros e imagens, representando suas mercadorias que passavam de mão em mão e de nação para nação. Em volta do pescoço estava a corrente com o corte azul carraca em turquesa, que usava como o Grão-Mestre das Mercearias. A loja inteira tinha a aparência sombria e suntuosa de seu proprietário. Os produtos eram exibidos com destaque como nos dias antigos, mas agora estavam misturados e combinados com um sentido de tonalidade e de agrupamento, muitas vezes negligenciado pelas mercearias opacas dos dias esquecidos. Os produtos eram mostrados claramente, mas mostrou não tanto como um velho merceeiro mostraria seu estoque, mas sim como um virtuoso educado mostraria seus tesouros. O chá foi armazenado em grandes vasos azuis e verdes, inscritos com as nove palavras indispensáveis ​​dos sábios da China. Outros vasos de um confuso laranja e roxo, menos rígido e dominante, mais humilde e sonhador, armazenavam simbolicamente o chá da Índia. Uma linha de caixas de um metal prateado continha simples carnes enlatadas. Cada uma tinha uma forma rude, mas rítmica, como uma concha, uma corneta, um peixe, ou uma maçã, para indicar o material que tinha sido enlatados.

— Vossa Majestade — disse o sr. Mead fazendo uma reverência oriental. — É uma honra para mim, mas ainda mais uma honra para a cidade.

Auberon tirou o chapéu:

— Sr. Mead, Notting Hill, seja dando ou tomando, nada faz sem honra. Acaso vende alcaçuz?

— Alcaçuz, senhor — disse Mead —, não é o menos importante dos nossos benefícios do coração escuro da Arábia.

E indo reverentemente em direção a uma caixinha verde e prata, feita sob a forma de uma mesquita árabe, prosseguiu a servir o seu cliente.

— Estava pensando, Sr. Mead — disse o Rei, pensativo. — Não sei por que eu deveria pensar sobre isso agora, mas estava pensando sobre vinte anos atrás. Lembra-se dos tempos de antes da guerra?