— Isso não é bom, meu Buckito — disse o Rei, rolando sobre a cadeira. — Não consegue lidar com essa eloquência cavalheiresca. Não pode lidar com um artista. Não pode lidar com o humorista de Notting Hill. Oh, nunc dimittis, pois vivi para ver este dia! Superintendente Wayne, permanece firme?
— Deixe-os esperar e ver — disse Wayne. — Se permanecia firme antes, acha que enfraquecerei agora que vi o rosto do Rei? Pois luto por algo maior, se pode haver algo maior que os lares do meu povo e o Senhorio do Leão. Luto por sua visão real, por seu grande sonho da Liga das Cidades Livres. Você mesmo me deu essa liberdade. Se eu fosse um mendigo e tivesse me atirado uma moeda, ou se eu fosse um camponês numa dança e tivesse me arremessado um presente, acha que teria deixado sua oferta ser levada por qualquer bandido na estrada?
— É demais, é demais — disse o rei. — A natureza é fraca. Preciso falar com você, irmão artista, sem mais disfarce. Deixe-me lhe fazer uma pergunta solene. Adam Wayne, alto lorde superintendente de Notting Hill, não acha isso esplêndido?
— Esplêndido — gritou Adam Wayne! Tem o esplendor de Deus.
— Desviou novamente — disse o rei. — Vai manter a pose. Engraçado, é claro, é sério. Mas, seriamente, não é engraçado?
— O quê? — perguntou Wayne, com os olhos de um bebê.
— Pare tudo, não jogo mais. O negócio todo da Carta das Cidades. Não é imenso?
— Imenso não é uma palavra indigna para o glorioso projeto.
— Oh, pare! Mas, é claro, entendo. Você quer que eu limpe o quarto destes bobos razoáveis. Quer os dois humoristas juntos sozinhos. Deixe-nos, senhores.
Buck lançou um olhar azedo em Barker, e com um sinal mal-humorado, saíram da sala como um desfile todo de azul e verde, de vermelho, ouro, púrpura, deixando apenas os dois no grande salão, o rei sentado em seu assento tablado, e a figura avermelhada ainda ajoelhado no chão ante a sua espada caída.