Os pensamentos do rei estavam em uma espécie de debandada, não podia recolhê-los.
— A percepção geral é de ser um pouco engraçado — disse vagamente.
— Suponho — disse Adam virando-se com rapidez — que considera a crucificação como algo sério?
— Bem — começou Auberon —, admito que, em geral, achei que tinha um lado mais grave.
— Então está errado — disse Wayne, com incrível violência. — A crucificação é cômica. É primorosamente divertida. Era um tipo absurdo e obsceno de empalação reservado para as pessoas que foram feitas para serem ridicularizadas, para escravos e provinciais, para dentistas e pequenos comerciantes, como você diria. Vi a grotesca forca, que os garotos de rua romanos rabiscaram como uma piada vulgar, em chamas sobre os pináculos dos templos do mundo. E devo continuar?
O rei não respondeu.
Adam continuou, a sua voz ressoando no telhado.
— Esse riso com que os homens tiranizam não é o grande poder que acredita. Pedro foi crucificado, e crucificado de cabeça para baixo. O que poderia ser mais engraçado do que a ideia de um Apóstolo de idade respeitável de cabeça para baixo? O que poderia ser mais ao estilo de seu humor moderno? Mas qual foi o fim dele? De cabeça para baixo ou do lado certo, Pedro era Pedro para a humanidade. De cabeça para baixo ele paira sobre a Europa, e milhões se movem e respiram na vida da sua Igreja.
Rei Auberon levantou-se distraído:
— Há algo no que você diz. Parece que esteve pensando, jovem.