— Eu disse a ele de forma muito clara, o interesse público...
Auberon se voltou para Wayne com violência:
— Que diabos é isso? O que estou dizendo? O que você está dizendo? Você me hipnotizou? Malditos sejam seus misteriosos olhos azuis! Deixe-me ir. Devolva-me o meu senso de humor. Devolva-me, eu digo!
— Eu lhe asseguro solenemente — disse Wayne, inquieto, com um gesto, como sentindo sobre si — que não o tenho.
O rei caiu para trás em sua cadeira, e com uma gargalhada rabelaisiana:
— Não acho que tenha — exclamou.
| Livro III |
A condição mental de Adam Wayne
Um pouco depois da ascensão do Rei apareceu um pequeno livro de poemas, chamado “Hinos no Monte”. Não eram bons poemas, nem um livro de sucesso, mas que atraiu uma certa atenção de uma particular escola de críticos. O próprio Rei, que era um membro desta escola, o avaliou na qualidade de crítico literário para “Direto dos Estábulos”, um jornal esportivo. Eles eram conhecidos como a Escola da Rede, porque um inimigo havia calculado malignamente que não menos do que 13 de suas delicadas críticas tinham começado com as palavras: “Li este livro deitado em uma rede: meio adormecido na sonolenta luz solar, Sob estas condições, gostavam de tudo, mas especialmente bobagens. “Depois de um livro autentico bom (e que, infelizmente, nunca encontramos), queremos um ricamente ruim.” Assim aconteceu que o seu louvor (como indicando a presença de uma riqueza ruim) não era universalmente procurado, e os autores se tornavam um pouco inquietos quando encontravam o olhar favorável da Escola da Rede.
A peculiaridade de “Hinos no Monte” foi a celebração da poesia de Londres como distinta da poesia do campo. Este sentimento ou afetação, naturalmente, não é incomum no século XX, e, embora às vezes exagerada, às vezes artificial, apresenta uma grande verdade na sua raiz, pois há um aspecto em que uma cidade deve ser mais poética do que o campo, uma vez que é mais próxima do espírito do homem, pois Londres, se não é uma das obras-primas do homem, pelo menos é um de seus pecados. A rua é muito mais poética do que um prado, porque a rua tem um segredo. A rua está indo para algum lugar, e um prado a lugar nenhum. Mas, no caso do livro chamado “Hinos no Monte” havia outra particularidade, que o rei apontou com grande perspicácia em seu comentário. Ele era naturalmente interessado no assunto, pois ele próprio tinha publicado um volume de letras sobre Londres sob o pseudônimo de “Margarida Sonhadora”.