— Muito bem, senhor, muito obrigado, senhor — disse o dono da mercearia com animação. — Pode contar com o meu patriotismo, senhor.

— Já conto com ele — disse Wayne, e saiu para se encontrar com a noite.

O merceeiro colocou a caixa de tâmaras de volta no seu lugar.

— Que pessoa agradável! É estranho como muitas vezes eles são agradáveis. Muito mais agradáveis do que aqueles que estão bem.

Enquanto isso, Adam Wayne ficou de fora na farmácia brilhante, vacilando de forma inconfundível.

— Que fraqueza! — murmurou. — Nunca me livrei dela desde a infância - o medo desta loja mágica. O merceeiro é rico, romântico, poético, no verdadeiro sentido, mas não é sobrenatural. Mas o farmacêutico! Todas as outras lojas estão em Notting Hill, mas esta está na terra dos elfos. Olhe para essas grandes taças coloridas queimando. Deve ser com elas que Deus pinta o pôr do sol. Ele é sobre-humano e o sobre-humano é tanto mais estranho quando é beneficente. Essa é a raiz do medo de Deus. Estou com medo. Mas devo ser um homem e entrar.

Ele era um homem, e entrou. Um rapaz baixo e moreno estava atrás do balcão com os óculos, e o cumprimentou com um sorriso brilhante mas inteiramente comercial.

— Uma boa noite, senhor — disse ele.

— Boa realmente, estranho pai — disse Adam, esticando suas mãos um pouco para a frente. — É nessas noites claras e suaves que sua loja se sobressai. Pois aparecem mais perfeitas, essas luas de verde, dourado e vermelho, que guiam de longe o peregrino da dor e da doença a esta casa de feitiçaria misericordiosa.

— Posso arranjar-lhe algo? — perguntou o farmacêutico.