Era uma daquelas pequenas lojas estranhas tão constantemente vistas nas ruas de Londres, que só devem ser chamados de lojas de brinquedos só porque brinquedos predominam sobre o todo, pois o restante das mercadorias parecem consistir de quase tudo no mundo. De tabaco, livros de exercício, doces, novelas, clipes de papel, apontadores baratos, cordões de botas e fogos de artifício baratos. Também vendia jornais, e uma fileira de cartazes de aparência suja pendurada ao longo da frente.

— Estou com medo — disse Wayne, quando entrou — que não estou lidando com esses comerciantes como deveria. Será que negligenciei o pleno significado do trabalho deles? Existe algum segredo enterrado em cada uma dessas lojas que nenhum mero poeta pode descobrir?

Ele deu um passo para o balcão com uma depressão que rapidamente dominou quando abordou o homem no outro lado — um homem de baixa estatura e cabelo prematuramente branco, e a aparência de um grande bebê.

— Senhor — disse Wayne —, estou indo de casa em casa nesta nossa rua, buscando despertar algum senso do perigo que ameaça agora a nossa cidade. Em nenhum lugar senti meu dever tão difícil quanto aqui. Pois o lojista da loja de brinquedo tem tudo o que nos resta do Éden antes das primeiras guerras começar. Senta aqui meditando continuamente sobre os desejos do tempo maravilhoso em que toda escada levava para as estrelas, e todos os jardins eram caminhos para a outra extremidade da Terra do Nunca. Acha que é impensado que eu bata o velho e escuro tambor do perigo no paraíso das crianças? Mas considere um momento, não me condene às pressas. Mesmo o próprio paraíso contém o rumor ou início desse perigo. Assim como o Éden que foi feito perfeito continha a terrível árvore. Para julgar a infância, mesmo pelo seu próprio arsenal de prazeres, você mantém tijolos; sem dúvida para o testemunho do instinto construtivo mais velho do que o destrutivo. Você mantém bonecas, você torna-se o sacerdote dessa a idolatria divina. Você mantém Arcas de Noé; perpetua a memória da salvação de toda a vida como um bem precioso, uma coisa insubstituível. Mas, senhor, mantém apenas os símbolos desta sanidade pré-histórica, esta racionalidade infantil da terra? Não mantém as mais terríveis? Que são essas caixas, aparentemente de soldados de chumbo, que vejo nessa caixa de vidro? Não são testemunhas de que o terror e a beleza, que o desejo de uma morte linda, não pode ser excluídos até mesmo da imortalidade do Éden? Não despreze os soldadinhos de chumbo, Sr. Turnbull.

— Não desprezo — disse Turnbull, da loja de brinquedos, brevemente, mas com grande ênfase.

— Estou feliz em ouvir isso — respondeu Wayne. — Confesso que temi por meus planos militares a inocência terrível de sua profissão. O que, pensei comigo mesmo, será que este homem habituado apenas com espadas de madeira que dão prazer, pensará sobre as espadas de aço que dão dor? Mas estou pelo menos em parte tranquilizado. Seu tom sugere-me que tenho pelo menos a entrada de um portão da terra das fadas — o portão através do qual os soldados entram, isso não se pode negar — devo, senhor, não mais negar, que é de soldados que vim falar. Permita que o seu emprego suave o faça misericordioso para com os problemas do mundo. Permita que a sua própria experiência prateada diminua as nossas tristezas sanguíneas. Pois há guerra em Notting Hill.

O mantenedor da loja de brinquedo pulou de repente, batendo as mãos gordas sobre o balcão.

— Guerra? — ele gritou. —Verdade, senhor? É verdade? Oh, que piada! Oh, que vista para os olhos cansados!

Wayne foi surpreso por essa explosão.

— Estou muito contente — gaguejou. — Não tinha noção.