— Defesa de Notting Hill? Sim, senhor. Aqui, senhor — disse Turnbull, com grande perturbação. — Basta entrar neste quarto ao lado — e levou Wayne a outro quarto, onde a mesa estava totalmente coberta com um arranjo de tijolos de crianças. Um segundo olhar mostrou a Wayne que os tijolos foram dispostos na forma de um plano preciso e perfeito de Notting Hill. — Senhor — disse Turnbull, impressionantemente —, por um tipo de acidente, descobriu o segredo da minha vida. Como um menino, cresci entre as últimas guerras do mundo, quando a Nicarágua foi tomada e os dervixes exterminados. E a adotei como um hobby, senhor, como pode adotar a astronomia ou a taxidermia. Não tinha má vontade contra qualquer um, mas estava interessado na guerra como uma ciência, como um jogo. E de repente estava excluído. As grandes potências do mundo, depois de ter engolido todos as pequenas, chegaram a esse acordo confuso, e não houve mais guerra. Não havia nada mais para fazer, exceto o que faço agora, ler sobre as antigas campanhas em velhos jornais sujos, e recriá-las com soldadinhos de chumbo. Uma outra coisa me ocorreu. Pensei que seria uma fantasia divertida fazer um plano de como nosso distrito poderia ser defendido se fosse atacado. Isto parece interessá-lo também.
— Se fosse atacado — repetiu Wayne, admirado com uma enunciação quase mecânica. — Turnbull, ele será atacado. Graças a Deus, estou trazendo a pelo menos um ser humano, a notícia que é no fundo a única boa notícia para qualquer filho de Adão. Sua vida não tem sido inútil. Seu trabalho não tem sido um jogo. Agora, quando o cabelo já está grisalho, Turnbull, você terá a sua juventude. Deus não a destruiu, ele apenas a adiou. Vamos nos sentar aqui, e você deve explicar-me este mapa militar de Notting Hill. Pois eu e você temos que defender Notting Hill juntos.
Turnbull olhou para o outro por um momento, hesitou, e depois sentou-se ao lado dos tijolos e do desconhecido. Não levantou por sete horas, quando amanheceu.
A sede do superintendente Adam Wayne e seu comandante-em-chefe consistia de uma pequena leiteria sem muito sucesso na esquina de Pump Street. A manhã branca havia apenas começado a romper sobre os edifícios brancos de Londres quando Wayne e Turnbull estavam sentados na suja e sombria loja. Wayne tinha algo feminino em seu caráter, pertencia a essa categoria de pessoas que esquecem suas refeições quando estão fazendo algo interessante. Não tinha comido nada por 16 horas, exceto copos apressados de leite, e, com um copo vazio ao lado dele, estava escrevendo, desenhando, pontilhando e cruzando com inconcebível rapidez um lápis em um pedaço de papel. Turnbull era do tipo mais masculino, no sentido que a responsabilidade aumentava seu apetite, e com o seu mapa esboçado ao lado dele estava lidando vigorosamente com uma pilha de sanduíches de um pacote de papel, e uma caneca de cerveja da taberna do lado oposto, cuja persianas tinham acabado de serem fechadas. Nenhum deles falou, e não havia nenhum som no silêncio vivo, exceto o riscar do lápis de Wayne e o guinchar de um gato sem rumo. Finalmente Wayne quebrou o silêncio, dizendo:
— Dezessete libras, oito xelins e nove pences.
Turnbull assentiu e levou a caneca à cabeça.
— Isso — disse Wayne — não conta as cinco libras de ontem. O que fez com elas?
— Ah, isso é muito interessante! — respondeu Turnbull, com a boca cheia. — Usei essas cinco libras num ato gentil e filantrópico.
Wayne estava olhando com mistificação em seus olhos estranhos e inocentes.