— Não, não acho que é isso — respondeu o honorável James Barker. — Às vezes imaginava que ele era uma espécie de artista, Lambert.

— Bobagem! — gritou o Sr. Lambert, brevemente.

— Admito que não sei que julgamento fazer dele — retomou Barker, distraído. — Ele nunca abre a boca sem dizer algo tão indescritivelmente imbecil que chamá-lo de bobo parece a mais fraca tentativa de caracterização. Mas há outra coisa que é um pouco engraçada. Sabe que ele tem a maior coleção de laca japonesa da Europa? Já viu os seus livros? Todos os poetas gregos, medievais franceses e esse tipo de coisa. Já esteve em seus quartos? É como estar dentro de uma ametista. E ele move tudo e fala como... como um nabo.

— Bem, dane-se todos os livros. Os seus almanaques também — disse o ingênuo Sr. Lambert, com uma simplicidade amigável. — Você deve entender dessas coisas. O que você acha dele?

— Está acima da minha capacidade — retornou Barker. — Mas como você perguntou a minha opinião, digo que ele é um homem com gosto pelo absurdo, nonsense, como eles chamam, brincadeiras artísticas, e todo esse tipo de coisa. Acredito seriamente que já falou tantas bobagens que confundiu a própria mente e não sabe a diferença entre a sanidade e a insanidade. Foi dar uma volta no mundo mental, por assim dizer, e encontrou o lugar onde o Oriente e o Ocidente são um, e onde extrema idiotice é tão boa quanto a razão. Mas não posso explicar esses mecanismos psicológicos.

— Você não pode explicá-los para mim — respondeu o Sr. Wilfrid Lambert, com candura.

Enquanto passavam as longas ruas para seu restaurante, o crepúsculo de cor de cobre mudou lentamente para um amarelo pálido, e pelo tempo que chegaram estava discernível uma tolerável luz invernal. O honorável James Barker, um dos funcionários mais poderosos do Governo Inglês (por esta altura rigorosamente um funcionário), era um homem jovem magro e elegante, com um rosto branco bonito e tristes olhos azuis. Ele tinha uma grande quantidade de capacidade intelectual, do tipo peculiar que leva um homem de trono a trono até deixá-lo morrer carregado de honras sem ter nunca entretido ou iluminado a mente de ninguém. Wilfrid Lambert, o jovem com o nariz que parecia empobrecer o resto do rosto, também pouco contribuía para o alargamento do espírito humano, mas ele tinha a honrosa desculpa de ser um tolo.

Lambert poderia ser chamado de tolo; Barker, com toda sua esperteza, poderia ser chamado de estúpido. Mas mera burrice e estupidez afundavam na insignificância, na presença dos terríveis e misteriosos tesouros da loucura aparentemente armazenados na pequena figura que estava esperando por eles fora da Cicconani. O pequeno homem, cujo nome era Auberon Quin, tinha uma aparência composta de um bebê e uma coruja. Sua cabeça redonda, olhos redondos, parecia ter sido desenhado pela natureza brincando com um par de compassos. Seu escuro cabelo liso e a absurdamente longa sobrecasaca davam-lhe algo do olhar de um Noé criança. Quando ele entrava na sala de desconhecidos, confundiam-no com um menino pequeno, e queriam colocá-lo de joelhos, até que ele falasse, quando percebiam que um menino seria mais inteligente.

— Tenho esperado muito tempo — disse Quin, suavemente. — É muito engraçado finalmente vê-los subindo a rua.

Lambert olhou fixamente e perguntou: