— À medida que caminhava cansado pelos cantos, algo aconteceu. Quando algo acontece, acontece primeiro, e você vê depois. Acontece por si só, e você não tem nada a ver com isso. Isso prova uma coisa terrível, que existem outras coisas além de si mesmo. Só posso colocar desta forma. Demos uma volta, duas voltas, três voltas, quatro voltas, cinco. Então levantei-me lentamente da sarjeta de onde tinha caído meio sem sentidos, e foi abatido novamente por homens batendo em cima de mim, e o mundo estava cheio de rugir, e grandes homens caindo como pinos de boliche.

Buck olhou para o mapa com a testa enrugada.

— Isso foi em Portobello Road? —, perguntou ele.

— Sim — disse Barker —, em Portobello Road. Vi depois; mas, meu Deus, que lugar era! Buck, já foi pisoteado na cabeça por homens com sapatos de ponta de aço? Porque, quando tem essa experiência, como diz Walt Whitman, “você reexamina as filosofias e religiões”.

— Não duvido — disse Buck. — Se isso foi Portobello Road, não viu o que aconteceu?

— Sei o que aconteceu bem demais. Fui derrubado quatro vezes; uma experiência que, como disse, tem um efeito sobre sua atitude mental. E outra coisa aconteceu, também. Derrubei dois homens. Após a quarta queda (não havia muito derramamento de sangue, mais brutais empurrões e coisas atiradas, pois ninguém conseguia usar suas armas), após a quarta queda, me levantei como um demônio, e tomei um poleaxe da mão de um homem e golpeou onde vi o escarlate dos companheiros de Wayne, golpei de novo e de novo. Dois deles caíram, sangrando nas pedras, graças a Deus, e eu ri e me achei estatelado na sarjeta de novo, e me levantei novamente, e golpei de novo, e quebrei minha alabarda em pedaços. Machuquei a cabeça de um homem, no entanto.

Buck pousou o copo num estrondo, e cuspiu maldições pelo seu bigode espesso.

— Qual é o problema? — perguntou Barker, parando, pois o homem estava calmo até o momento, mas agora sua agitação era muito mais violenta do que a sua própria.

— O problema? — disse Buck, amargamente. — Não vê como esses maníacos nos pegaram. Por que dois idiotas, um palhaço e o outro um louco gritando, alteraram tanto homens sãos? Olhe aqui, Barker, vou dar-lhe um panorama. Um jovem muito bem-educado deste século está dançando em uma sobrecasaca. Ele tem em suas mãos uma alabarda do século XVII sem sentido, com a qual ele está tentando matar homens em uma rua de Notting Hill. Droga! Não vê como eles nos pegaram? Não importa como você se sentiu, é assim que pareceu. O rei iria colocar a maldita cabeça de lado e chamar isso de requintado. O superintendente de Notting Hill iria levantar seu maldito nariz e chamar de heroico. Mas em nome de Deus o que você teria chamado isso – dois dias atrás?

Barker mordeu o lábio: