O Rei apertou a com o prazer de uma criança brincando com melaço. Em seguida, com suas composições enormes tremulando em cada mão, correu para o lado de fora, e começou colá-las em posições de destaque ao longo da frente do escritório.
— E agora — disse Auberon, entrando novamente com não diminuída vivacidade —, para o artigo principal.
Pegou outra das grandes faixas de papel de parede, e colocando-a em uma mesa, puxou uma caneta e começou a escrever com intensidade febril, lendo em voz alta cláusulas e fragmentos para si mesmo, e rolando-as em sua língua como se fosse vinho, para ver se tinham o puro sabor jornalístico:
— A notícia do desastre para nossas forças em Notting Hill, terrível como é (terrível como é? não, angustiante como é), pode fazer algo de bom se chama a atenção para a não-sei-qual-o-nome ineficiência (escandalosa ineficiência, é claro) dos preparativos do Governo. Em nosso atual estado de informações, seria prematuro (que palavra alegre!) lançar qualquer reflexão sobre a conduta do general Buck, cujos serviços sobre tantos campos atacados (ha, ha!), e cujas honrosas cicatrizes e louros, dão-lhe o direito de pelo menos ter o julgamento suspenso. Mas há um assunto sobre o qual devemos falar claramente. Temos estado em silêncio sobre isso por muito tempo, por sentimentos, talvez de cautela ou de lealdade enganados. Esta situação nunca teria surgido, se não fosse o que só se pode chamar de indefensável conduta do rei. É doloroso ter que dizer essas coisas, mas, falando no interesse público (plagiei o famoso epigrama de Barker), não devemos parar por causa da aflição que pode causar a qualquer indivíduo, mesmo o mais exaltado. Neste momento crucial de nosso país, a voz do povo exige como uma só língua, "Onde está o Rei?" O que ele está fazendo, enquanto seus súditos rasgam-se em pedaços nas ruas de uma grande cidade? São os seus divertimentos e suas dissipações (de que não podemos fingir ser ignorantes) tão cativantes que não pode dispensar algum pensamento para uma nação perecendo? É com profundo sentimento de responsabilidade, que avisamos aquela exaltada pessoa que nem sua grande posição, nem seus incomparáveis talentos irão salvá-lo na hora de delírio do destino de todos aqueles que, na loucura de luxo ou tirania, se encontrarem com os ingleses no raro dia de sua ira.
— Agora — disse o Rei —, vou escrever um relato da batalha por uma testemunha ocular. — E pegou uma quarta folha de papel de parede. Quase no mesmo momento Buck entrou rapidamente no escritório. Ele tinha uma bandagem em volta de sua cabeça.
— Disseram-me — disse com a sua habitual civilidade áspera —- que sua Majestade estava aqui.
— E de todas as coisas na terra — exclamou o Rei, com prazer —, aqui está uma testemunha ocular! Uma testemunha ocular que, lamento observar, tem atualmente apenas um olho para testemunhar. Pode escrever-nos um artigo especial, Buck? Tem um rico estilo?
Buck, com um autocontrole que quase se aproximou de polidez, ignorou qualquer genialidade enlouquecedora do rei.
— Tomei a liberdade, vossa Majestade — disse rapidamente —, de pedir ao sr. Barker para vir aqui também.
Enquanto falava, de fato, Barker veio para dentro do escritório, com sua habitual pressa.