Fallaram os politicos, os cortezãos, os invejosos, a Rainha fallou ao Cardeal infante D. Henrique e começaram a querer fazer casamento a D. Juliana, dando ao duque de Aveiro mais honras e mercês. E foi subindo a intriga, e D. Sebastião o bello rapaz sempre contrariado, a querer mal a D. Henrique seu tio, e a faltar ao respeito a D. Catharina sua avó.

Faltava-lhe a mãe; talvez a origem da desgraça esteja n’isto.

O rei desconfiava de todos, a camarilha enjoava-o; evitava-a quanto podia, ia caçar; andar pelos montes onde o ar é sempre puro. Os seus amigos e companheiros eram D. Alvaro de Castro, Christovão de Tavora e o duque de Aveiro.

A uma caçada em Cintra foi muita gente da côrte; o duque levou sua filha; a Rainha D. Catharina encarregou uma dama de observar os passos de D. Sebastião. E esta dama foi descobrir no alto da serra, apartados dos caçadores, o rei, e o duque de Aveiro com sua filha D. Juliana!

Outros ajuntamentos houve a seguir, affirmando-se que el-rei promovia essas festas agitadas e com muita gente para se encontrar com D. Juliana.

—Ultimamente houve um ajuntamento que muito dissaboreou a Rainha, e o Cardeal infante, e foi uma mascarada de noute, em uma quinta no districto de Carnide, na qual se acharam grandes senhores e o duque de Aveiro com sua filha vestida á turqueza, e muitas outras damas lusidamente ataviadas; e do que ali se passou teve a Rainha circumstanciadas informações; mas não se disse com certeza quem as dera, supposto que se presumiu ser o prior do Crato, D. Antonio, filho do infante D. Luiz—.

A Rainha D. Catharina, o tio Cardeal censuraram el-rei; e elle começou a fallar de ir á Africa.

Nem em Cintra, nem em Carnide o deixavam á vontade.

Só Africa, para casos d’estes.

A primeira ida á Africa foi effectivamente uma surpreza para a côrte. D. Sebastião foi caçar nos arredores de Ceuta e Tanger e parece que encontrou lá uma filha do Xarife que se parecia com D. Juliana.