De cá choviam os avisos da Rainha-avó, do tio Cardeal, dos bispos; custou a vir.
Parece que D. Juliana, a ladina turqueza de Carnide, foi offuscada pela filha do Xarife; encanto de moura!
Na segunda jornada o duque de Aveiro, apesar de ter perdidas as esperanças no casamento da filha, acompanhou D. Sebastião; e morreu com o seu rei e amigo.
No seu testamento, feito antes de partir, recommendava que D. Juliana casasse com D. Jorge de Lencastre; este morreu tambem na batalha.
D. Juliana, nova, herdeira riquissima, teve varias propostas de casamento com os maiores de Hespanha, que não acceitou; esperaria o rei? só dez annos depois de Alcacer casou com D. Alvaro de Lencastre, que foi o 3.ᵒ duque de Aveiro.
Agora, onde a quinta do districto de Carnide? Gostaria de saber, gostaria, mas é certo que não encontro vestigios a que possa attribuir grande antiguidade, nem mesmo tradição local. As grandes casas de Carnide e seu termo são do seculo XVII e do XVIII; e estas na maioria ainda modificadas e transformadas modernamente.
A familia Carnide.—Em antigo codice genealogico encontro este appellido, de origem local. Um homem natural de Carnide adquiriu bens, fez serviços e alcançou a nobreza. Diz o codice: «é Carnide logar de 80 visinhos, com boas e rendosas fazendas, e entre os visinhos alguns que se tratam nobremente, e viveram em tempos antigos com abundancia e nobreza.»
O primeiro mencionado é Pedro Gonçalves de Carnide, do tempo de Affonso V. Seu filho Pedro de Carnide morou em Cintra.
Balthazar de Carnide foi moço da camara de D. Manuel. A familia Carnide apparece em seguida alliada a Gamboas e Ayalas.