F. morador nas Fontellas, na ribeira de Loures tinha uma courella que entesta com o rio do Bom Nome e com o resyo de Carnide. F. tinha metade de um quarto de courella. Vê-se que a propriedade estava muito dividida.
A albergaria de Carnide trazia tambem um meio quarto de courella. Passou depois a pequena fazenda para o hospital de Carnide.
Outra courella entesta no rio do Bom Nome e com o adro de S. Lourenço; deve ser a fazenda onde está agora uma vaccaria.
F. do Calhariz possue uma terra que vem á estrada na do Correia... caminho de Bemfica. F. tem uns quinhões na almoinha do Machado defronte da porta travessa de Nossa Senhora da Luz. Correia é o nome da quinta do sr. conselheiro Pequito. Um quinhão do lagar do Espongeiro... parte do aguião ao longo da estrada na do Correia, e do vendaval (sul) entesta com o caminho de Bemfica e da travessia (poente)...
No Esparageiro; será variante de Espongeiro? Esparageiro virá de espargo?
Agora apparece-nos um nome estranho, quinhões dos Feytaes layrasos, e tambem Feytaes castelhanos. Nada conheço agora que se lhe avisinhe. Todos estes nomes estão no titulo dos Canos: este era pois o nome de uma região, entre a estrada do Poço do Chão e a estrada que vae de S. Lourenço para a Porcalhota, agora, recentemente, Amadora, passando pela actual quinta da Correia. É possivel que este nome de Canos tenha a sua origem em antigos pequenos aqueductos.
Finalmente apparece-nos um documento com autos de medição de certas propriedades; é de 1554. A vinha da Coelheira que parte com caminho da Granja, tinha de largura 28 varas e de comprido 246 varas, era um tira de terra: outra vinha tinha de largura 51 varas e de comprido 280 varas, era uma fazenda com pouco mais de hectare e meio.
Esta collecção de documentos é importante para o estudo da marcha do processo civil; especialmente o grupo que pertence ao primeiro quartel do seculo XIV. Brigam no comprido pleito particulares, freiras, o convento; chegam á excommunhão. Ha instrumentos de protesto, de testemunho, de intimação, procuração, cartas regias, sentenças, recibos e obrigações, aforamento, arrendamento a longo praso, e suas condições, carta de excommunhão, posse, emprazamentos em tres vidas; todos estes variados instrumentos entram no seculo XIV, a maior parte no seu primeiro quartel (1299 a 1325).
As conclusões a que chegamos são: no termo de Carnide a propriedade estava muito dividida; havia proprietarios de meia courella, de quarto, de meio quarto de courella.
A cultura era variada, vinhas, olivaes, terras de seara ou de pão; almoinhas ou hortas. Falla-se numa vinha velha.