Mafra tem outra notabilidade, a velha egreja de Santo André, antiga freguezia. Cautella com os amadores, pois a vi muito abandonada.

Tem altares de azulejos mosarabes, e frontaes de couro lavrado, colorido e dourado; e duas arcas tumulares medievaes, de interesse historico e artistico. O exterior da capella mór e a torre sineira são da primitiva, e em volta está o velho cemiterio, tão pouco respeitado!

Com pequeno esforço se poderia conservar melhor essa interessante egreja de Santo André!

Muito curioso o pequeno mercado, os figos moscateis, as lindas uvas, as bellas maçãs, os aromaticos melões, as saloias com os seus cabazes de ovos. Mas que ovos saborosos! nos almoços que nas minhas passagens por Mafra consumi no Moreira ou no Duarte ou no Ricardo, eu repeti os ovos fritos na manteiga saloia.

A carrinha da Ericeira pára á porta do correio, que fica ao lado da escadaria monumental da egreja.

E partimos para o lado do mar.

Pela estrada carros com rama de pinho, rapazes com vaccas leiteiras, e grupos de crianças pedindo cincoreizinhos em cantilena nasalada.

Sobreira, logarejo com caixa de correio, e uma loja centro commercial, onde se vende tudo á gente do sitio, e vinho á gente que passa; o cocheiro aceita sempre o seu copito. Fabrica-se por aqui ceramica popular, louça de barro, vidrada ou não, com sua ornamentação especial. E não só na Sobreira, mas em outros povos proximos ha oleiros, até á Lapa da serra, pequeno logar já visinho da Ericeira.

Agora atravessamos trechos de pinhal; paisagem formidavel; na luz forte o grande mar, a serra de Cintra, amethista lavrada, os vastos campos accidentados, palhetados de logares e casaes brancos, as verdes manchas de pinhal, e Mafra, o imponente edificio avermelhado, saliente entre a pequena casaria branqueada da villa.

E quanto mais nos avisinhamos da Ericeira mais viçosos são os pinhaes; tudo pinhal novo, porque as velhas arvores foram derrubadas nos ultimos annos. O mar quanto mais proximo mais scintillante.