—Quando encontrar esse homem, ha-de ser meu amigo.
Chamava-se Anzani.
Chegando á America, tinha-se apresentado com uma carta de recommendação a dois dos seus compatriotas MM.*** negociantes em S. Gabriel, que tinham feito d'elle o seu factotum.
Anzani exercia todos os empregos, caixeiro, guarda-livros, homem de confiança, emfim era o bom genio d'esta casa.
Como todos os homens fortes e corajosos, Anzani era socegado e dotado de um excellente genio.
A casa commercial de que elle se tinha tornado director era uma d'essas casas como se acham unicamente na America do Sul, isto é vendendo tudo o que é possivel imaginar.
A villa onde residiam os nossos dois compatriotas era infelizmente proxima da floresta que servia de refugio a essas tribus de indios de que já dissemos algumas palavras no capitulo precedente.
Um dos chefes d'estes indios tinha-se tornado o terror d'esta pequena villa, á qual vinha duas vezes por anno, com a sua tribu, roubando quanto queria sem encontrar a menor resistencia.
Primeiramente veiu acompanhado por duzentos ou trezentos homens, depois com cem, depois com cincoenta, segundo elle tinha visto augmentar o terror estabelecendo o seu poder, e depois sentindo-se o senhor tinha vindo só, e dava as suas ordens que eram obedecidas, como se por detraz de si tivesse a sua tribu prompta a assassinar aquelle que lhe recusasse obedecer.
Anzani tinha ouvido fallar d'este homem e tinha escutado tudo o que se dizia a seu respeito, sem manifestar a sua opinião sobre a audacia d'este chefe selvagem e sobre o terror que inspirava a sua ferocidade.