Não presumas, porém, prodigio das creanças!
Que basta o fogo, o estro, a viva inspiração;
É mister trabalhar, sem isso nada alcanças;
A gloria chamarás, ser-te-ha o appello em vão.
Pois que! tu cuidarás, creança, porventura
Que sem luctar, soffrer, sem horridos tormentos
O artista poderia erguer aos quatro ventos
A Epopêa, o Drama, a Estatua, a Partitura?
Vamos, trabalha pois ó meu precoce artista,
Dos precipicios ri, vinga-me o barrocal!
Para o profundo azul estende a larga vista.
Eis-te nos alcantis! Eleva-te ao ideal!