Na tua face ardente e avelludada

Encandeia-se a luz do quente Estio,
Mas no teu coração, ó minha amada,
Habita o Inverno enregelado e frio.

Mas quem assim te vê bella e formosa,

Verá mais tarde o Inverno tôrvo e feio
Nessa tua gentil face mimosa,
E o rubro Estio no teu branco seio!

XX


No momento do adeus succede que os amantes

Se abraçam, a chorar, com vozes soluçantes.
Força, é força partir; a mão prende-se á mão,
E uma infinda tristesa inunda o coração.

Para nós, meu amôr, nessa hora de agonia

Não houve o padecer que as almas excrucia:
Foi grave o nosso adeus e frio, e só agora
É que a Dôr nos subjuga, e a Angustia nos devora.