Nervoso mestre, domadôr valente
Da Rima e do Sonêto portuguez,
Não te eguala a pericia de um chinez
Na pintura de um vaso transparente.
Ha no teu verso a musica dolente
Da guitarra andaluza, e muita vez
Rompe em meio da extranha languidez
O silvo estriduloso da serpente.
No vinho e fel traçaste o escuro drama
Em que soluça e ri, na extensa gamma,
Teu desgrenhado amôr, doido e fatal...
Mas se do peito ancioso o dardo arrancas,
Teu canto exhala as alegrias francas
De uma rubra Kermesse colossal.