«O rei preferia a tudo
«Aquella doce lembrança
«Que lhe trazia os arômas
«De umas fluctuantes cômas,
«E de uns labios de veludo,
«Que elle beijára em creança.
«Toda a vez que elle bebia
«Por esse vaso sagrado,
«Uma extatica alegria
«Como flôr ideal sorria
«No seu turvo olhar cançado.
«Um dia sentiu-se o pobre
«Mais triste, velho e abatido,
«Abraçou-se commovido
«Á taça, o tremulo amante:
«E as lagrimas, uma a uma,
«eslisaram nesse instante
«Nos rudes flócos de espuma
«Da longa barba fluctuante.
quella hora de agonia,
«Chamou seus filhos e herdeiro,
«Deu-lhes tudo o que possuia,
«Ouro, palacios, riquezas,
«O seu castello roqueiro,
«E as suas largas devezas.