Que muito, ó filho, flor de um pau tão bronco,
Que acabe a flor na docil infancia,
E que acabando a flor dure inda o tronco.
De genio altaneiro e caracter independente, não se curvava a interesses mundanos. Queria dar espansão ao seu singular espirito e não admittia nisso o mais leve constrangimento.
A sua ambição era limitada: assim, não fazia caso de dinheiro, nem mercava a sua musa aos poderosos.
Conta o seu biographo, que quando elle vendeu umas terras suas por tres mil cruzados, recebendo o dinheiro em um saco, mandara-o despejar a um canto da casa, e d’ahi se ia tirando o necessario e sem regra, para os gastos diarios.
Como advogado Gregorio de Mattos era de rectissimo proceder; só defendia o justo e aconselhava o verdadeiro. «Conta-se, diz o seu biographo, que muitas vezes aconteceu entrarem-lhe as partes com dinheiro consideravel, e os amigos com assumptos menos dignos, e que elle despresava aquellas, para attender a estes, passando lastimosas necessidades.»
Apezar da promessa de d. Pedro II de um logar na Casa da Supplicação de Lisboa, não quiz o dr. Gregorio de Mattos devassar no Rio de Janeiro dos crimes imputados ao governador Salvador Corrêa de Sá e Benavides, cahindo assim das graças d’aquelle monarcha. Este facto, si não lhe sobrassem outros muitos que conta o seu biographo, bastava para mostrar a rectidão e a independencia de caracter do poeta.
Á Gregorio de Mattos deve o Brazil o primeiro brado da sua independencia. Foi elle quem primeiro, só e desajudado, teve a coragem e a energia de dar este grito de alarma na colonia portugueza. Em muitas das suas producções notam-se o amor que o poeta consagrava á sua patria e os esforços que empregava para liberta-la do jugo da metropole, e na despedida que fez á Bahia, quando seguiu para o seu exilio de Angola, diz elle:
Que os Brazileiros são bestas