Agora tendes pouco: apenas uns lamentos
Sentidos contra nós; queixumes sem valor
E ao mundo importam muito os vossos testamentos
E importa muito pouco a vossa immensa dôr!
Batei á grande porta: os bellos dias vossos
Velhitas, bem sabeis, não podem voltar mais!
Á terra ide levar, em fim, n'uns tristes ossos
O residuo fatal das cousas virginaes!
XXVI
ÁS VISÕES
Pois que visões! não cessa a rapida corrida
E seja noite ou dia,
Volteadoras crueis! vós sempre a toda a brida
Na minha phantasia!
Parti chymeras vãs! archanjos ou madonnas,
Parti, que o mando eu,
Como um bando fatal de velhas amasonas
Que o circo aborreceu!
Levae tudo comvosco: as settas mais a aljava;
O angelico sorriso;
E as azas d'escumilha em que eu voava
Á noite, ao paraiso!
Eu quero, em fim, dormir; passar as noites gratas
Sentindo-me feliz,
No somno machinal dos velhos acrobatas
Depois das farças vis!
Mais tarde hei de sorrir, ou escarnecer-me quasi,
Lembrando-me—ó verdade!—
Que onde eu suppunha aurora havia apenas gaze
E uns traços d'alvaiade.
Perdão se vos insulto! oh, não, vós sois do empyreo,
D'aquelle meigo azul,
Que a todos tem sorrido: a Christo no martyrio,
Na dôr, ao rei de Thule;