E tu perguntarás: o que é meu filho, é ouro!!
A quantas guerras foste? ó ceus, como tu vens!
—Mãe tome essa lata! esconda o meu thesouro
E deixe-me ir dormir no fêno ao pé dos cães!
VI
Á meza do festim, cercada de formosas,
O canto dos cristaes e o scintillar dos vinhos
Saudavam juntamente os bellos desalinhos
Das galantes vizões das ceias luminozas!
Molhavam-se em champagne as pétalas das rozas!
E em baixo, a nossos pés, em leves murmurinhos
A gaze sobreposta á candidez dos linhos
Erguia-se n'um mar de vagas caprichosas!
Ali tudo era paz! Nem odios vis nem zelos!
Os labios pois limpando ás rendas e aos cabellos
Da menos trivial das fadas tentadoras,
Eu brindo aos mortos!—disse: á legião sagrada
Que foi á solidão, á eternidade, ao nada!
—Ás almas e ao pudor d'estas gentis senhoras.
VII
OS SONHOS MORTOS
Embora triste a noite, a vagabunda lua
Mais branca do que nunca erguia-se nos ceus,
Igual a uma donzella ingenua e toda nua
No leito ajoelhada erguendo a fronte a Deus!
O mar tinha talvez scintillações funestas.
A praia estava fria, as vagas davam ais;
Semelhavam, ao longe, as extensas florestas
Fantasmas ao galope em monstros colossaes.