A velha feiticeira recuou espantada.
--Como lhe sabeis o nome? Ah! Sabes-lhe o nome!... Pois bem, ninguem póde dizer o que succedeu. Mas o homem teve medo de repente, atirou para o chão o saco cheio de pedras, e fugiu, levando só agarrada a pedra maior que tinha na mão. É a que Tuala trazia no diadema. É a que tu déste a Ignosi!
--E ninguem mais entrou aqui?
--Ninguem. Mas os reis ficaram sabendo o segredo da porta... Nenhum porém entrou, porque dizem prophecias já muito antigas que aquelle que aqui entrar morrerá antes d’uma lua nova. Esta é a verdade, homens das estrellas. Entrai agora! Se eu não menti a respeito do homem que se chamava Silveira, vós encontrareis no chão, á entrada da porta, cahido, o saco de couro cheio de pedras... E se as prophecias mentem ou não sobre a morte que espera a quem aqui penetrar, vós mais tarde o sabereis...
E sem mais, a hedionda creatura mergulhou no corredor tenebroso, erguendo ao alto a pallida lampada. Nós, no emtanto, olhavamos uns para os outros com hesitação, quasi com medo--bem natural de resto em nervos abalados por tantas emoções estranhas. Foi John o mais corajoso:
--Acabou-se! Cá vou! Era ridiculo ficarmos apavorados com as tonterias d’uma velha macaca! Adiante!
E avançou seguido por Fulata e por nós dois, em silencio. Mas dados alguns passos ouvimos uma medonha praga. Era John que tropeçára, quasi cahiria por sobre um bloco de cantaria atravessado no corredor. Gagula erguera mais a lampada:
--Não receeis!... São pedras que a gente d’outr’ora tinha ahi accumulado para tapar o corredor para sempre... Mas fugiram, ao que parece, não tiveram tempo!
E com effeito havia alli como umas obras interrompidas--pedras serradas e esquadradas, um monte de cimento, e uma picareta e uma trolha, semelhantes ás que ainda hoje usam os pedreiros. Contemplei com reverencia estas antiquissimas ferramentas. No emtanto Fulata, que desde a nossa entrada na caverna não cessára de tremer de medo, sentou-se sobre uma pedra, e declarou que desmaiava, não podia mais caminhar... Alli a deixámos, com o cesto de provisões ao lado, até que ella ganhasse alento. E seguimos.
Uns quinze passos adiante, demos de repente com uma porta de pau, curiosamente pintada a côres, e toda aberta para traz. E no limiar da porta, lá estava, cahido no chão--um pequeno saco de couro que parecia cheio de seixos!